Um reencontro comovente chamou a atenção dos profissionais de saúde no hospital
24/05/2019 18:00 em Geral



Foi da janela do refeitório da Unidade de Saúde Mental do Hospital Candelária, que a preocupação de um paciente internado na última segunda-feira, 20, com seus melhores amigos se desfez, trazendo alívio e alegria.

Internado para um tratamento de dependência do álcool, o paciente que por opção hoje é morador de rua em Candelária, RS, já não conseguia disfarçar a preocupação e o nervosismo com seus dois fiéis companheiros, os cachorros Looly e John.

Da mesma forma, do outro lado da cidade, moradores e pessoas voluntárias que conhecem a relação dos animais com o seu dono percebiam a inquietude acompanhada de uivos dos animais que procuravam incansavelmente pelas ruas o destino do seu protetor ou protegido.

Preocupados com a situação, os moradores acionaram integrantes da S.OS. Bichos de Candelária que imediatamente buscou por lares temporários para os animais. Percebendo a tristeza dos cães que já não se alimentavam mais, o grupo de voluntários levou-os até o estacionamento da Casa de Saúde, local de onde era possível o contato visual com o seu dono.

Contudo, como não poderia ser diferente, a emoção do reencontro foi maior do que a esperada, e por se tratar de ser o único vínculo afetivo do interno, foi permitido então que o mesmo se aproximasse dos animais.

De acordo com a coordenadora da Unidade de Saúde Mental de Candelária, Fernanda Pires, o momento do reencontro foi de grande emoção, não somente para o paciente e seus leais companheiros, mas também para a equipe de saúde que acompanhava a reaproximação. “Não dá para explicar a alegria desses animais quando o viram, eles choravam, latiam, pulavam. O maior chegou a pular dando uma espécie de abraço na cintura do nosso paciente. Uma experiência única e inesquecível para todos nós”.

Após o reencontro, os voluntários novamente encaminharam os animais para seus lares provisórios, o que não foi suficiente para mantê-los longe de seu melhor amigo. “Eles voltaram orientados possivelmente pelo faro, e como o portão do nosso estacionamento abre e fecha várias vezes durante o dia para a circulação dos funcionários, eles entraram novamente e se instalaram embaixo de uma janela de onde conseguem ter o contato visual com o seu dono em alguns momentos do dia”, conta Fernanda.

Segundo ela, com a aproximação dos bichos foi perceptível a melhora no quadro de ansiedade e nervosismo do interno. Além disso, se mostra mais receptivo para os procedimentos e colaborativo nas atividades propostas. “Essa amizade de fato está ajudando muito na recuperação deste senhor. É um amor incondicional, entre os cães e seu dono. Os cães são dóceis, calmos e muito bem cuidados”, comenta.

Considerando a importância deste contato, a Unidade entendeu que assim como os demais pacientes possuem contato com seus familiares uma vez na semana, então também seria justo que o amigo inseparável de Looly e John pudesse estar por alguns minutos próximo de seus animais, que hoje são seu único vínculo de amor na cidade.

Desta forma, ainda que no estacionamento da Unidade de Saúde, a ONG S.O.S Bichos está dando todo o acompanhamento médico aos animais, mantendo inclusive a higiene do local.

Vale considerar, que internações para este processo de desintoxicação no caso de alcoolismo, são de no máximo 30 dias. Sendo assim, quando liberado para voltar a sua vida normal, o paciente poderá finalmente procurar um lar para morar com seus animais.

De acordo com ele, já há uma proposta de trabalho em uma propriedade do interior, para atuar na agricultura. “Quando eu sair daqui quero voltar a trabalhar e levar juntos os meus cachorros que me cuidam há tanto tempo e nunca me abandonaram”, comentou emocionado.

O paciente que já foi caminhoneiro e já trabalhou em diversas áreas, especialmente na cidade de Nova Hartz, onde possui filhos, conta que o vício com o álcool começou ainda na adolescência, mas que está lutando para superar e seguir a sua vida de forma mais tranquila sem ficar jogado nas ruas.

Após sua alta, o homem deve receber o acompanhamento do Centro de Atenção Psicossocial, para que consiga se manter sóbrio e feliz, por mais um dia, um dia de cada vez. Afinal, mais do que qualquer medicação, o amor e a amizade verdadeira, sejam como for, se mostram remédios potentes contra qualquer doença que possa parecer incurável.

*A PEDIDO DA CASA DE SAÚDE, A IDENTIDADE DO PACIENTE FOI PRESERVADA.

Por Mariéle Gomes Gross/Dial. News

 

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