Operação Polis atinge golpistas passo-fundenses no litoral de Santa Catarina
21/06/2018 18:05 em Nas Malhas Da Lei

Seis mandados de busca e apreensão foram cumpridos na terça-feira (19) em Carazinho, Getúlio Vargas, Erechim, São Leopoldo, Camboriú, Itajaí, Itapema e Balneário Camboriú

 

 

A operação Polis é considerada a maior ação policial da história do município de Passo Fundo, onde 430 agentes e delegados da Polícia Civil cumpriram 127 mandados de busca e apreensão no último sábado (16).

O chefe da Polícia Civil no RS, Delegado Emerson Wendt, esteve acompanhando as ações que ocorreram nos bairros Santa Marta, Menino Deus, Pampa, Nenê Graeff, Vila Luiza, Santa Maria, Leonardo Ilha, São Luiz Gonzaga, São Cristóvão, Boqueirão e Centro.

As investigações iniciaram no mês de maio de 2015 e estão a cargo dos agentes da Delegacia Especializada em Furtos, Roubos, Entorpecentes e Capturas – DEFREC e policiais do Serviço de Inteligência Policial e Análise Criminal – SIPAC da 6ª Delegacia Regional da Polícia Civil, sob coordenação dos Delegados Adroaldo Schenkel e Diogo Ferreira.

O objetivo principal da primeira fase da operação foi de descapitalizar golpistas que aplicam o velho e surrado Conto do Bilhete Premiado. Esse crime é antigo, surgiu na época da Loteria Esportiva, e de forma teatral envolve vários indivíduos visando o rápido lucro financeiro.

Infelizmente, Passo Fundo é conhecida nacionalmente como o berço dos estelionatários. Eles atuam em muitos municípios do Rio Grande do Sul, além dos estados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Minas Gerais.

No início das diligências, foi possível desvendar que vigaristas passo-fundenses usavam veículos emplacados em outros municípios para dificultar o reconhecimento das vítimas. Inclusive, foi descoberto que documentos falsos foram feitos e os carros estavam em nome até de Prefeituras.

São várias quadrilhas, que se dividem em células de cinco à dez indivíduos. Todas elas tem ligação, devido os golpistas se conhecerem. Não há líderes, mas a estrutura é muito organizada. Em algumas situações, os bandos possuem advogados que acompanham as viagens e atuam rapidamente quando ocorre algum imprevisto.

Os inquéritos policiais investigam 140 pessoas e trabalham com o montante de 2,5 milhões de reais, onde os acusados já foram identificados e as denúncias encaminhadas para o Poder Judiciário. Mas, os policiais afirmam que os valores ultrapassam 20 milhões de reais, nos últimos cinco anos.

Nas ações de sábado (16), foram apreendidos 75 carros e caminhonetes, 19 motocicletas, dois barcos, dois jet ski, um caminhão, muitas joias, 41 mil reais e 3 mil dólares.

O Poder Judiciário também determinou o bloqueio e a quebra do sigilo de 230 contas bancárias dos investigados e pessoas jurídicas que são utilizadas para a lavagem de dinheiro. Através do cruzamento de dados, os policiais buscam descobrir a origem do patrimônio.

Na segunda-feira (18), os policiais continuaram as atividades e compareceram em seis revendas de carros e dois escritórios de despachantes que possuem vínculos com os golpistas.

As garagens são investigadas em duas situações: 1ª) empréstimo dos veículos para os golpistas dissimularem suas ações; 2ª) o lucro obtido nos golpes era transferido para automóveis que ficavam depositados nas lojas e depois eram negociados. Esse esquema é uma das fontes do crime de lavagem de dinheiro.

Durante as diligências nas revendas, também foram constatadas situações alarmantes de sonegação fiscal. Algumas garagens inteiras estavam sem documentos fiscais dos veículos.

Sobre os dois escritórios de despachantes investigados, os delegados afirmaram que eles possuem indícios de realizarem a transferência de vários veículos com fraude documental, inclusive utilização de documentos falsificados. Somente na segunda-feira (18), mais cinco veículos foram apreendidos, além de vários documentos.

Na manhã desta quarta-feira (20), os Delegados Adroaldo Schenkel e Diogo Ferreira concederam uma entrevista para a Rádio Uirapuru e divulgaram detalhes das investigações e ações já realizadas.

Eles afirmaram que a primeira fase da operação foi concluída e com sucesso. O objetivo era de coletar provas, fazer a descapitalização e localizar bens de luxo, enquadrados para o crime de lavagem de dinheiro.

O Delegado Regional destacou que será feita uma força-tarefa com o recebimento de policias de outras regiões para colaborar nas investigações. A intenção é de concluir as tarefas e já passar para as próximas fases da operação.

O Delegado Diogo Ferreira relatou que no curso da investigação foi possível descobrir que os golpistas possuem muitos imóveis de luxo na região metropolitana do Rio Grande do Sul, mas principalmente no litoral catarinense. Com isso, seis mandados de busca e apreensão foram cumpridos nessa terça-feira (19), nos municípios de Carazinho, Getúlio Vargas, Erechim, São Leopoldo, Camboriú, Itajaí, Itapema e Balneário Camboriú.

Os policiais ficaram espantados com o luxo que foi encontrado em posse dos investigados. Apartamentos com 4 suítes a beira mar, com acesso exclusivo, além de embarcações, motos esportivas, além de mansões em condomínios fechados.

Somente em Balneário Camboriú foram apreendidos quatro veículos, uma moto esportiva, dois jet sky e uma lancha avaliada em 280 mil reais. Entre os veículos estava uma caminhonete Land Rover Discovery que pertence ao passo-fundense Anderson de Azevedo Salomão. Ele é um dos alvos da operação.

Desde sábado até agora, foram apreendidos 85 carros e caminhonetes, 20 motocicletas, 04 jet ski, dois barcos, uma lancha de luxo, um caminhão, muitas joias, 41 mil reais e 3 mil dólares.

A Operação Polis já contabiliza o valor de 4 milhões e 700 mil reais em bens apreendidos.

 

*Fonte e foto Lucas Cidade - Rádio Uirapuru/Divulgação Tribuna

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