Ministério da Saúde lança campanha contra o HPV e a Meningite C
13/03/2018 - 21h08 em Saúde

Nesta terça-feira (13), o ministro Ricardo Barros lançou, em Brasília, a campanha que visa alertar mais de 10 milhões de adolescentes, meninas entre nove a 14 anos e meninos entre 11 a 14 anos de idade, sobre a importância da vacinação contra o HPV e a Meningite C. “Esta campanha está completamente de acordo com a mudança de foco que estamos implantando no Ministério da Saúde, que é priorizar a prevenção. Estamos investindo na prevenção para evitar que as pessoas fiquem doentes. O recente lançamento das novas práticas integrativas no SUS vai na mesma direção, nosso foco é o processo de saúde e não a doença”, explicou o ministro Ricardo Barros.
A coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde, Carla Domingues, enfatiza que as vacinas contra o HPV e a meningocócica C fazem parte do calendário de rotina disponível nas unidades do SUS, durante todo o ano e que esta é uma campanha de mobilização. “É importante ressaltar que esta é uma campanha informativa e de esclarecimento e não uma campanha de vacinas. A campanha é importante para alertar as pessoas sobre a necessidade da vacinação, esclarecendo o que é mito e boato, e informações verdadeiras, baseadas em estudos científicos”, observou a coordenadora.
De acordo com o Ministério da Saúde, menos da metade do público alvo total da vacina já foi imunizado. Com a nova campanha, pretende-se alcançar 80% ainda este ano. É importante lembrar que a cobertura vacinal só estará completa com as duas doses.
São estimados 16 mil casos de câncer de colo do útero por ano, o terceiro que mais mata mulheres no Brasil, 5 mil óbitos devido à doença. Mais de 90% dos casos de câncer anal e 63% dos cânceres de pênis são atribuíveis à infecção pelo HPV, principalmente pelo subtipo 16.
A nova temporada de vacinação também contará com a participação das escolas. “Vamos insistir para ampliar a cobertura vacinal e insistir na escola, onde podemos fazer uma potencialização da imunização e assim diminuir a prevalência do HPV, que hoje está muito alta, acima de 50% nos jovens brasileiros”, ressaltou o Ministro da Saúde.

Causas
O HPV é um vírus que se transmite no contato pele com pele, por isso pode ser considerado uma doença sexualmente transmissível, até porque 98% das transmissões ocorrem através do contato sexual. Mas diferente das outras DSTs, não é preciso haver troca de fluídos para que a transmissão ocorra: só o contato do pênis com a vagina, por exemplo, já ocasiona a transmissão do vírus.
O uso da camisinha é uma proteção importante para evitar a transmissão do HPV e não deve ser esquecida mesmo durante o sexo anal ou sexo oral. A camisinha feminina é uma boa aliada, pois ela permite um contato menor ainda entre a pele dos parceiros.
Outras formas de transmissão, muito mais raras, são pelo contato com verrugas de pele, compartilhamento de roupas íntimas ou toalhas e, por fim, a transmissão vertical, ou seja, da mãe para o feto, que pode ocorrer durante o parto.
O vírus pode ser transmitido mesmo quando a pessoa não percebe ter os sintomas. Outro ponto sobre o HPV é que apesar de os sintomas normalmente se manifestarem após entre dois e oito meses da infecção, ele pode ficar encubado, ou seja, presente no organismo, mas sem se manifestar, por até 20 anos. Por isso é praticamente impossível saber quando ou como a pessoa foi infectada pelo HPV.

Fatores de risco
Quaisquer pessoas que tenham uma vida sexual ativa estão em risco de entrar em contato com algum dos tipos de HPV. No entanto alguns fatores de risco aumentam a chance de esse contato ocorrer: sexo sem proteção, vida sexual precoce, múltiplos parceiros, não fazer exames de rotina, imunodepressão, ou seja, a queda do sistema imunológico, presença de outras doenças sexualmente transmissíveis (DSTs).
Além disso, os fatores de risco para câncer associado ao HPV são alterações da resposta imunológica em nosso organismo, como: múltiplas gestações, uso de contraceptivos orais de alta dose por tempo prolongado, tabagismo, infecção pelo HIV, tratamento com quimioterapia, radioterapia ou imunossupressores e a presença de outras doenças sexualmente transmitidas, como herpes simples e clamídia.

Sintomas
O principal sintoma do HPV é o surgimento de verrugas ou lesões na pele, normalmente uma manchinha branca ou acastanhada que coça. Muitas vezes, no entanto, a lesão pode não ser visível a olho nu, aparecendo em exames como colonoscopia, vulconoscopia e peniscopia.
Normalmente as lesões do HPV aparecem na região genital, mas podem ocorrer em outras partes do corpo. As mais comuns, no organismo feminino, são as lesões que costumam se desenvolver na vulva, vagina, colo do útero; na genitália masculina, o pênis é o local mais comum para aparecimento do HPV. Em ambos os gêneros, o ânus, garganta, boca, pés e mãos são locais em que o vírus do HPV costuma se manifestar. Mais de 90% das pessoas conseguem eliminar o vírus do HPV do organismo naturalmente, sem ter manifestações clínicas.



Fontes: Ministério da Saúde e Minha Vida
Foto: Ministério da Saúde/Divulgação Tribuna

 

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