DE OLHO NO CONGRESSO
03/03/2018 17:27 em Política

O jogo de palavras do Poder

As interpretações das palavras ditas na política do país

Geraldo Bentes*

Na minha adolescência, na década de 60, havia um programa na televisão brasileira cuja a palavra de ordem era “A palavra é”. Os seis artistas presentes e que apertassem a campainha em primeiro lugar tinham que cantar uma música com a palavra dita. Cinquenta anos depois, mandaram para o presidente Temer a palavra segurança pública. Seu marqueteiro, Elsinho Mouco, pesquisou e mandou uma segunda palavra, intervenção na segurança no RJ. Isto dá voto!


E começaram os improvisos. Aprova-se o decreto da intervenção, o Ministério da Segurança, demite-se a cúpula da Polícia Federal e transfere o “Circuito Elizabeth Arden” do Ministério das Relações Exteriores para a PF. Um vai para Roma, e o outro, Londres. Convidam os governadores para liberar R$ 42 Bi, mas na verdade é um empréstimo que não será fundo perdido. E aí, vem uma terceira palavra, improvisação. Nunca vi tanta improvisação em cima de um tema tão importante como a questão da segurança pública do RJ. Lembro que “a palavra é” era um mote, mas o nome do programa, que era dirigido pelo grande Blota Junior, chamava-se “Esta noite se improvisa”. E assim, a improvisação continua. Não sabemos aonde vai parar. Nem se vai parar o número da violência no RJ.

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*Foto retirada do site do Congresso Nacional/Divulgação Tribuna

 

 


Geraldo Bentes circula pelos corredores do Senado e da Câmara atrás da melhor notícia. Os bastidores das comissões, os debates calorosos e os projetos polêmicos de interesse nacional. Alagoano, torce para o CRB e acompanha o diz que diz de Brasília desde 1976. A coluna "De olho no congresso" é publicada todos os sábados no Tribuna Mix.

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