Após 19 anos sem poder caminhar e mais de 60 cirurgias realizadas,  getuliense descobre a ACD e relata os benefícios que está tendo através da entidade
14/02/2017 - 11h46 em Geral

 

 

ACD de Passo Fundo atende deficientes físicos de toda a região

                                                                                                                                                                                                      Por Deisy Nara Pergher

Criada em 12 de janeiro de 1984, tinha os seus serviços realizados na Universidade de Passo Fundo (UPF) até o fim do ano de 2012, onde o atendimento era apenas na área de assistência social. No ano de 2013 passou a funcionar em prédio próprio, situado na Av. Domingos Gomes, 12, no bairro Santa Marta, atendendo também outros serviços de saúde.

Atualmente a Associação Cristã de Deficientes Físicos (ACD) de Passo Fundo atende em dois ramos: assistência social e saúde. Na saúde são atendidos todos os municípios integrantes da 11ª e 6ª Coordenadoria Regional de Saúde de Erechim e Passo Fundo, respectivamente, abrangendo o total de 95 municípios, em diferentes áreas: prótese, órtese, fisioterapia, tratamento ocupacional, psicologia, fonoaudiologia, ambulatório de feridas, ortopedia e assistência social.

Além disso, a entidade possui projeto para ampliar o atendimento no ramo da fisioterapia, comenta Eliana Pavin Escobar, supervisora administrativa. 

Na área da assistência social, atende apenas os associados de Passo Fundo, que participam do grupo de convivência, artesanato, informática, prática de esportes como basquete, bocha e atletismo adaptados.

O tesoureiro, Ismael Romero de Assumção, destaca que outro projeto a ser executado é a construção de um ginásio poliesportivo, pois atualmente os times de basquete e bocha adaptados treinam na Universidade de Passo Fundo (UPF) e na Associação de Sargentos, Subtenentes e Tenentes da Brigada Militar de Passo Fundo (ASSTBM), respectivamente. 

Quem é associado dispõe de um espaço em separado com quiosque e laboratório de informática, onde são realizados curso de computação, acesso a internet, academia ao ar livre, refeitório e oficinas de artesanato. “Um ambiente diferenciado para a convivência e fortalecimento de vínculos”, afirma Ismael.

Na área da saúde podem receber atendimento da ACD todas as pessoas que possuam alguma deficiência física desde que residam nos municípios integrantes das Coordenadorias de Saúde de Erechim ou Passo Fundo, sendo que a entidade possui parceria com o Sistema Único de Saúde – SUS e os atendimentos, portanto, são gratuitos.

Para os serviços da Assistência Social existe convênio somente com a Prefeitura de Passo Fundo e são atendidos apenas os moradores daquela cidade.

Para ter acesso aos serviços da ACD, na área da saúde, faz-se o encaminhamento pela Secretaria Municipal de Saúde da cidade em que o paciente reside. Quando chegar à ACD a pessoa passará pelo setor de triagem em que será analisado para qual especialista deve ser encaminhado. Nos serviços de assistência social faz-se um cadastro direto na ACD e o paciente já pode realizar inscrição para participar das oficinas.

A ACD é administrada por cinco pessoas que compõem a diretoria, sendo requisito possuir alguma deficiência física, além de ser associado. Na saúde, há também um diretor que trabalha em conjunto com a assistência social.

Na sala para atendimentos de fisioterapia é possível atender sete pessoas simultaneamente. “A consulta tem duração de 45 minutos, mais que a consulta padrão do SUS”, salienta Ismael.

Segundo ele, no laboratório de feridas são realizados procedimentos que não tem cobertura do SUS, “sendo esse mais um serviço de referência na região oferecido pela ACD”, comenta.

A entidade atende cerca de 350 pacientes por mês, sendo 270 na reabilitação física, que compreende a doação de cadeira de rodas, atendimentos de psicologia, fisioterapia, prótese, e 80 na reabilitação visual, como confecção de óculos, prótese ocular, treinamento de pessoas com deficiência visual recente.

Oferece atendimento para crianças, com uma sala específica para a reabilitação infantil, sendo que um dos procedimentos oferecidos pela ACD compreende uma plataforma que se usa para manter a criança em pé e também é referência na região. No Estado, além de Passo Fundo, esse procedimento é realizado somente em Porto Alegre.

Obs.: A ACD Passo Fundo não tem nenhuma ligação com a AACD do Silvio Santos. 

Sede da ACD em Passo Fundo

Getuliense relata os benefícios que encontrou na ACD após 19 anos sem poder caminhar

Marlene Scherer Tomelero, 62 anos, residente no bairro Consoladora em Getúlio Vargas, é um exemplo de vida para todas as pessoas. Ela já passou por mais de 60 cirurgias e há 27 anos convive com um problema sério de saúde. Mesmo assim ela é alegre, comunicativa e otimista. Há 19 anos teve uma perna amputada. Mais tarde, a outra perna também foi retirada. 

Marlene é uma das pessoas atendidas pela ACD (Associação Cristã de Deficientes Físicos), de Passo Fundo. Ela comenta que somente no ano passado descobriu a existência dessa entidade que tão bem atende as pessoas. De acordo com a filha de Marlene, Valquíria, em 2016 ficou sabendo que na UPF havia atendimento para quem sofre com problemas de mobilidade, inclusive com doação de cadeiras de rodas. “Procuramos então esse serviço na UPF, e lá nos informaram que isso era feito pela ACD e que a entidade havia se mudado para outro endereço”, conta Valquíria, salientando que quando chegaram ao local indicado, surpreenderam-se com a maneira que foram recebidas, destacando a atenção dos atendentes, a cortesia e habilidade, com informações precisas, orientando-as sobre o procedimento a ser feito.

Além do atendimento pessoal por profissionais especializados, dona Marlene foi contemplada com três cadeiras de rodas: Uma normal para o dia a dia, toda adaptada para o conforto e segurança dela; outra, exclusiva para o banho; e a terceira é motorizada, com três velocidades diferentes, sendo que essa demorou um pouco mais para chegar. Todas foram entregues gratuitamente. Outro detalhe, é que as duas primeiras podem ser trocadas após dois anos de uso. A cadeira motorizada pode ser substituída após cinco anos. Em todos os casos, sem nenhum custo para Marlene. 

Valquíria ressalta que o maior sentimento da família, é somente agora descobrir a existência da ACD. “São vinte e poucos anos que a minha mãe está nessa situação, e tudo poderia ter sido bem mais fácil nesse tempo todo”, comenta. 

E para evitar que outras pessoas que necessitam desse tipo de atendimento também continuem sem saber da existência da referida entidade, Valquíria teve a iniciativa de divulgá-la. Para isso, procurou a ajuda do Tribuna, sugerindo a reportagem que foi realizada por Deisy Nara Pergher, publicada na versão impressa do Jornal Tribuna Getuliense e agora no site.          

Dona Marlene tem em Valquíria todo o suporte necessário. Desde criança a filha cuida da mãe em todos os momentos. “Ela sempre esteve do meu lado e me deu segurança”, salienta Marlene, orgulhosa pelo carinho que recebe da filha, sem deixar de ressaltar a dedicação de toda a família.   

QUATRO ENFARTES NA TRAJETÓRIA

Marlene lembra que na época que sofreu o primeiro dos quatro enfartes que já teve, o médico disse que ela não viveria mais que três meses. Os familiares relatam que essa informação fez ela sentir-se mal e abalou-a psicologicamente. “Eu superei isso tudo com a fé que eu tenho em Deus”, diz Marlene.

BENEFÍCIOS DAS CADEIRAS DE RODAS

Atualmente, com as três cadeiras de rodas que ganhou da ACD, Marlene comenta que pode ter uma vida quase normal, uma vez que consegue realizar muitas coisas que antes não conseguia fazer sozinha. Passear é uma delas. Só que aqui existe um porém: como a rua que a família reside no bairro Consoladora não é asfaltada e, além disso, está localizada numa descida muito forte, ela não consegue sair de casa.  Ocorre que a cadeira motorizada pesa 100 quilos, tornando-a difícil de carregá-la. Outro detalhe são os buracos no calçamento que podem trancar as rodinhas e provocar uma queda. Dessa forma, Marlene passeia ao redor de casa, mas ela enfatiza que mesmo assim, é muito gratificante poder sair de dentro de casa e se deslocar sozinha.

Outra facilidade é na hora de tomar banho. A cadeira específica para esse momento é toda adaptada dentro das condições de Marlene, para que ela tome seu banho de forma confortável.     

PRÓTESES

Uma das lamentações da família é que agora não existe mais a possibilidade de colocação de próteses, uma das especialidades da ACD e que possibilitaria que Marlene voltasse a caminhar. 

Durante a conversa de Marlene com a reportagem, ela contou que pediu a Deus que não a deixasse morrer antes que os filhos passassem a primeira comunhão. Depois disso, pediu que não a deixasse morrer antes que eles fossem crismados. O próximo pedido foi para não morrer antes que eles casassem. Passado o casamento de ambos, pediu para não morrer antes que nascesse o primeiro neto. “Agora, como foi uma neta que veio por primeiro, eu pedi a Deus para não morrer antes de conhecer o primeiro neto”, brincou Marlene, dizendo que sempre tem um motivo a mais para querer viver. 

Marlene toma 18 comprimidos de medicamentos todos os dias. 

Marlene é casada com Vilson Tomelero, com quem tem um casal de filhos - Vildomar e Valquíria; e uma neta – Lara (4 anos). Na foto, Marlene, Villson e Valquíria, no pátio da residência onde a família mora em Getúlio Vargas.

 

Além do atendimento pessoal por profissionais especializados, dona Marlene foi contemplada na ACD com três cadeiras de rodas: Uma normal para o dia a dia, toda adaptada para o conforto e segurança dela; outra, exclusiva para o banho; e a terceira é motorizada, com três velocidades diferentes. 

Recepcionistas na ACD em Passo Fundo, Diuly e Stefani

Fisioterapeutas Igor Sander e Jessica Xavier

Carlos Eduardo Borges, vice-presidente da ACD PF; Ismael Assumção, tesoureiro; Everaldo Rosa, presidente; e Eliana Pavin Escobar, supervisora administrativa.

Daniela Delazeri, fisioterapeuta da reabilitação infantil; Eduarda Hubner, fonoaudióloga; e Cintia Zonta da Silveira, psicóloga, acompanhadas pelo tesoureiro, Ismael Assumção.

 Camila Leguisamo, Andressa Lais Rosso e Letícia Dalbosco Maciel, da equipe do administrativo.

 

 

 

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